Atravessar o país para assistir a desfiles só faz sentido quando há algo único para ser visto. É essa capacidade de descentralizar olhares e valorizar identidades que faz do Dragão Fashion Brasil uma referência nacional. Ao longo de quase três décadas, o evento tem reunido jornalistas, criadores e profissionais em torno de uma moda que desafia a concentração do setor nos grandes centros e revela a potência criativa presente em diferentes territórios do Brasil.
Idealizado e dirigido pelo produtor cultural Cláudio Silveira, o Festival teve início nesta segunda-feira (9), em Fortaleza, ocupando, dessa vez, a Praia de Iracema. O evento atua como uma importante plataforma de ampliação da visibilidade de criadores, marcas e iniciativas que traduzem a diversidade cultural brasileira para além do tradicional eixo de poder da indústria.
A noite de abertura contou com o já tradicional Concurso dos Novos e os desfiles de quatro marcas, que transformaram a passarela em um espaço para sintetizar suas culturas e referências em coleções de moda.
Concurso dos Novos
Um dos principais meios de revelação de talentos da moda no Festival, reúne estudantes de cursos de todo o Brasil para apresentarem suas coleções na passarela do Dragão. Em 2026, os alunos da UniAteneu, UDESC, UFCA e UCS abriram o evento em grande estilo, mostrando que da Praia dos Crush ao Cânion do Itaimbezinho, a nova geração tem fogo no olhar.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
100% CEART
Com a coleção “Do Sagrado ao Encanto”, a CeArt destacou o artesanato cearense no Dragão Fashion Brasil 2026. A coleção apresentou peças desenvolvidas a partir de rendas, trançados, fibras, couro de tilápia e acessórios produzidos por artesãos de 18 municípios, valorizando técnicas tradicionais e a identidade cultural do Ceará.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Almir França
Em parceria com a empresa de energia Enel Brasil, as peças foram criadas com uniformes dos colaboradores da empresa. A coleção de upcycling é naturalmente marcada pelo verde, com inspiração em folhagens e vestimentas militares.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Casa Aika
Uma coleção repleta de feminilidade. Antes do desfile começar, o fundador da marca Marcos Maciel, fez questão de destacar que as roupas eram inspiradas nas mulheres de sua família. Assim, “Bença”, como foi batizada a coleção, equilibra muito bem referências setentistas com um toque fresh e contemporâneo. Com micro paetês de oncinha e muito crochê, a coleção não sacrifica o apelo fashion, em prol de representar uma feminilidade mais perto de casa.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
MANCUDA
Uma estreia no DFB com os dois pés na porta. Quando a primeira modelo colocou os pés na passarela, a proposta do desfile de “FavelaWear” ficou evidente. Exaltando as referências periféricas de seus diretores criativos, a MANCUDA trouxe o fashion para as ruas e apresentou silhuetas já exploradas na moda contemporânea, mas incorporando suas próprias vivências, com direito até mesmo a momentos de voguing.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
David Lee
Sob o tema da religiosidade, a coleção “Ofertório” é marcada por detalhes que já fazem parte da sua assinatura, o uso de cores vibrantes pontuais e crochê, e agora acompanhadas por um trabalho em couro. Uma mistura de inspirações que vão da religião que rege a conjuntura da coleção ao cangaço, passando pelo imaginário regional e se encontrando na moda contemporânea. E entre aplicações de laços e chaps, David Lee encerrou o primeiro dia de desfiles do DFB.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
O DFB acontece até sexta-feira (12) e suas programações, que variam de shows a desfiles e oficinas, se estendem por toda a praia de Iracema.
