O impacto da dupla de maior sucesso do Reino Unido que desembarca no Brasil em Março
Por: Luan Vidal
“Future Nostalgia”, “Plastic Hearts” e “After Hours”: sabe o que todos esses discos pandêmicos têm em comum? Todos eles trazem consigo um ritmo característico dos anos 80: o synthpop, um subgênero do pop marcado pelo uso de sintetizadores e do instrumento do teclado sintetizador, que ficou popular nesse período e que recentemente experienciou um verdadeiro revival nas grandes paradas musicais.
E a ironia política toma som (sintetizado, é claro) nas mãos de Neil Tennant e Chris Lowe, ou, como o mundo os conheceu; Pet Shop Boys, uma dupla que marcou os anos 80 e 90 justamente por popularizar a sonoridade do synth-pop em seus trabalhos e que tem data de chegada no Brasil marcada para o dia 3 de março, no Suhai Music Hall.
Os ironistas pós-modernos ofereciam em suas canções um verdadeiro Código Morse em suas batidas de sintetizadores. E quais mensagens esses códigos traziam? Utilizando muita sátira, o duo variava suas críticas, que iam desde ironizar figuras políticas e criticar a ambição financeira até lutar pelas causas LGBTQIA+. Principalmente quando o tema dialogava diretamente com Neil, que é homossexual e se assumiu em 1994.

Neil Tennant e Chris Lowe, do Pet Shop Boys, em retrato promocional recente que acompanha a divulgação da turnê “Dreamworld: The Greatest Hits Live”.
Crédito: Divulgação.
A dupla foi formada em 1981 após os dois integrantes se conhecerem em uma loja de eletrônicos e dividirem sua paixão pela dance music e pelos sintetizadores, e rapidamente começou a ganhar destaque em meados dos anos 80. Os Pet Shop Boys experienciaram o sucesso pela primeira vez com o hit “West End Girls”, que deu o pontapé inicial em uma carreira recheada de sucessos, sem sacrificar o apelo comercial em prol da transmissão de mensagens de teor político. Entre outros hits do grupo, como “It’s a Sin”, “Opportunities (Let’s Make Lots of Money)” e “Heart”, a dupla passou a representar uma vertente alternativa que trazia consigo uma elegância introspectiva, diferente de outros representantes da cena da época.
E claro que um som tão potente precisaria de um guarda-roupa que acompanhasse a vertente que nascia paralelamente à progressão da carreira da dupla. Assim, Neil e Chris carregavam consigo um estilo primordialmente avant-garde e futurista, sem sacrificar a elegância natural que sempre os acompanhou. Em outras palavras, eles se vestem exatamente como a música soa: um corporativo/street. Pense em alfaiataria modernizada. Na mesma frequência em que a dupla aparecia com ternos e cortes limpos, também surgia vestindo roupas que pareciam ter sido tiradas do figurino de “Castelo Rá-Tim-Bum”, e, às vezes, combinava os dois universos em um único figurino. O paralelo a se observar aqui é que, assim como em suas músicas, as mensagens (a alfaiataria) comunicavam algo sério, mas em uma roupagem mais divertida e moderna, como a sonoridade do synthpop, levando muitas vezes a um sentido irônico — como no uso de roupas que se assemelhavam a uniformes de generais, porém em cores vibrantes.
Os anos 90, naturalmente, foram caracterizados por serem uma época, no mínimo, divergente nos aspectos de vestimenta. Em polos distintos, era possível observar o berço do movimento grunge emergindo com suas jaquetas de couro e mom jeans rasgados, ao mesmo tempo em que grupos de hip-hop e do New Jack Swing, abusando de cores e silhuetas divertidas, dominavam a MTV. É nesse cenário de mudança e pluralidade que os Pet Shop Boys estavam ambientados, em uma época em que o avant-garde era um verdadeiro playground de autoexpressão, descobrimento e descumprimento da norma tradicional — valores diretamente ligados à identidade queer que a dupla carrega.

Neil Tennant e Chris Lowe, do Pet Shop Boys, em retrato promocional com figurinos usados no videoclipe de “Go West”, lançado em 1993, imagem que se tornou um dos registros visuais mais icônicos da fase pop do duo britânico. Crédito: Steve Pyke/Getty Images.

E mostrando que o impacto foi eterno, em 2018 a dupla chegou a estrelar uma campanha da Dior Homme, pegando a nostalgia e remodelando-a para um olhar moderno e futurista, como os Pet Shop Boys sempre fizeram.

Imagem de campanha da Dior Homme 2018 apresenta modelos com peças da linha masculina da maison; ao lado, a dupla Pet Shop Boys aparece em retrato associado ao projeto visual da marca.
Crédito: Divulgação/Dior.
A dupla volta ao Brasil em março de 2026 pela 9ª vez. Algumas das passagens de Neil e Chris incluem festivais como o Rock in Rio e o Primavera Sound, em 2017 e 2023, respectivamente. A parada da vez será no Suhai Music Hall, e os ingressos ainda se encontram à venda, variando de R$ 260 aR$ 850, podendo ser adquiridos AQUI.

Cartaz da turnê “Dreamworld: The Greatest Hits Live”, do duo britânico Pet Shop Boys, anunciando a apresentação em São Paulo no dia 3 de março de 2026, no Suhai Music Hall.
Crédito: Divulgação.
