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DFB: os desfiles que fecharam uma edição histórica

Ao longo de quatro dias, Fortaleza se transformou em uma grande passarela de encontros. Entre o vai e vem dos bastidores, os quilômetros percorridos por quem cruzou estradas para estar ali e as expectativas de quem aguardava sua vez de apresentar um trabalho ao público, o DFB Festival 2026 foi construído por muitas mãos e histórias.

O último dia condensou parte desse sentimento. As coleções apresentadas falaram sobre herança, afeto, território e permanência, revelando uma moda que nasce da experiência vivida e do desejo de seguir criando. Entre nomes consagrados e novos talentos, o encerramento da edição reforçou o papel do DFB como um espaço onde tradição e futuro se encontram, e onde a moda continua sendo, acima de tudo, uma forma de contar quem somos.

Lino Villaventura

Fractais, metamorfoses e espetáculo à beira-mar. Na luz dourada do fim de tarde da Ponte dos Ingleses, Lino Villaventura transformou a passarela em um território de constante mutação. Em Fractal — Gênese Infinita, corpos pareciam emergir entre sombras, brilhos e volumes escultóricos, enquanto vestidos translúcidos, estruturas plissadas e construções quase arquitetônicas davam forma a um universo entre o orgânico e o imaginário. O contraste entre o preto profundo e o branco etéreo reforçou a sensação de transformação contínua, marca registrada do estilista. Mais do que um desfile, Lino entregou um espetáculo de presença e emoção, encerrando um ciclo e, ao mesmo tempo, abrindo novas possibilidades para a imaginação.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Mãos da Moda – Inttuí e Morada

Mais do que uma parceria entre marcas e comunidades, o Mãos da Moda mostrou a potência dos saberes compartilhados. Nas passarelas, rendas, bordados e técnicas ancestrais ganharam novos contornos em silhuetas fluidas, volumes delicados e uma cartela que transitou entre tons suaves e contrastes marcantes. Enquanto a Inttuí explorou uma estética leve e afetiva, marcada por referências artesanais e femininas, a Morada apostou em geometrias, texturas e construções que aproximavam o feito à mão de uma linguagem contemporânea. O resultado foi um desfile sobre permanência: tradições que seguem vivas porque continuam encontrando novas formas de existir.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

407 AA

Em sua estreia no line-up oficial do DFB, Alan Araújo transformou as lembranças do Cariri em linguagem de moda. Em Patuá, referências às benzedeiras, mezinheiras e aos rituais de proteção popular encontraram uma estética contemporânea marcada por sobreposições, modelagens amplas, transparências e peças que transitavam entre o esportivo, o artesanal e o urbano. Tons terrosos, vermelhos profundos e amarelos vibrantes reforçaram a conexão com o território e a espiritualidade que atravessa a coleção. Entre corpos à mostra, amarrações, materiais reaproveitados e símbolos de fé reinterpretados, a 407 AA apresentou um trabalho que fala sobre pertencimento, mas também sobre a força de carregar a própria história como amuleto.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Nordestesse apresenta Almacor

Na passarela, a Almacor apresentou um olhar leve e sensível sobre o vestir. Estampas florais aquareladas, transparências, drapeados e modelagens fluidas construíram uma coleção marcada pela suavidade dos movimentos e pela riqueza das cores. Entre tons pastel, laranjas vibrantes, lilases e composições multicoloridas, os looks evocavam a sensação de um jardim em constante transformação. Em sintonia com a proposta do Nordestesse de ampliar a visibilidade da criação independente, a marca mostrou que a força da moda nordestina também se revela nos gestos mais delicados: aqueles capazes de transformar natureza, arte e afeto em roupa.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Rodrigo Tremembé

Entre grafismos ancestrais, tramas artesanais e silhuetas fluidas, Rodrigo Tremembé transformou as lembranças de sua mãe, Fátima Tremembé, em narrativa visual. Tutóia fala de afeto, espiritualidade e pertencimento, traduzindo a força da herança indígena em uma moda contemporânea que honra suas origens sem perder o olhar para o futuro.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Melk Zda

Entre volumes esculturais, recortes orgânicos e texturas que parecem brotar da própria matéria, Melk Zda transformou a flor do mandacaru em poesia visual. Flor da Meia-Noite revela a delicadeza que existe na resistência, traduzindo a força da Caatinga em peças que flutuam entre o artesanal, o futurista e o extraordinário.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Studio Orla

Entre tramas artesanais, chapéus de palha, crochês e bordados que carregam o gesto de quem faz, o Studio Orla transformou a simplicidade dos encontros nordestinos em passarela. Prosa celebra a beleza das conversas sem pressa, da cultura compartilhada e dos laços que se constroem no cotidiano. Uma coleção leve, afetiva e profundamente humana.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio

Entre mestres consagrados e novos talentos, o último dia do DFB Festival 2026 traduziu a força da moda autoral brasileira. Da grandiosidade de Lino Villaventura aos saberes artesanais do Mãos da Moda, das narrativas ancestrais de Rodrigo Tremembé à potência criativa de uma nova geração de marcas nordestinas, cada desfile reafirmou a moda como expressão de identidade, cultura e pertencimento.

Ao ocupar a Praia de Iracema e seus marcos históricos, o festival consolidou mais uma vez Fortaleza como um dos grandes polos criativos do país, onde tradição e contemporaneidade caminham juntas.

E não poderia haver data melhor para a despedida: no Dia dos Namorados, o DFB nos lembrou que algumas paixões só crescem com o tempo.

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