Das narrativas familiares de Jô de Paula às reflexões sobre fé de Lindebergue, passando pelo fazer artesanal do projeto Mãos da Moda e pelas releituras contemporâneas da cultura urbana e sertaneja, os desfiles do terceiro dia do DFB 2026 revelaram a diversidade de olhares que compõem os talentos nacionais.
Jô de Paula
Em “Pedaços de Mim”, Jo de Paula transforma memória afetiva em matéria-prima criativa, revisitando sua história familiar por meio de uma coleção marcada pela delicadeza dos tecidos naturais, pelas transparências sutis e pelo trabalho artesanal. Entre linhos, algodões, sobreposições em tule e detalhes orgânicos, os looks revelam uma estética sensível e autoral, na qual afeto, herança e identidade se entrelaçam em uma homenagem emocionante ao legado de Cheila de Paula.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Vai Maria por Cândida Lopes
Com a coleção “Mar de Sonhos”, o projeto Vai Maria estreou no festival este ano e se tornou o primeiro negócio social da moda brasileira a desfilar no evento. Desenvolvida ao longo de nove meses por mulheres participantes do projeto, a coleção simboliza liberdade, protagonismo e recomeço. Assinadas por Cândida Lopes em parceria com Isabelle Temoteo, as peças utilizam matérias-primas de origem responsável. Mais do que moda, o desfile apresentou histórias de transformação.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Mãos da Moda: Carnavália, Teroy13 e Areia
O projeto, idealizado pela Nordestesse e viabilizado pelo Riachuelo Lab, conecta marcas autorais da Bahia e da Paraíba a grupos artesanais locais, transformando técnicas tradicionais em coleções contemporâneas. A iniciativa evidencia a riqueza cultural da região e agrega autenticidade ao trabalho desses estilistas.
No terceiro dia, foi a vez de mais três marcas apresentarem seus projetos. A paraibana Carnavália levou à passarela a coleção “Trama Delírio”, inspirada no universo poético e simbólico da obra de Tunga. A partir das referências do artista pernambucano, a marca colocou a arte como epicentro da coleção.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Em “Vertigem”, a Teroy13 fez uma mistura inusitada entre a cultura clubber e os bordados das Mulheres do Algodão de Guanambi, resultando em uma coleção que propõe um frescor muito aguardado para as roupas da cena noturna.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Encerrando o bloco Mãos da Moda, a Areia apresentou sua interpretação da alfaiataria tropical. Fundada por Adailton Junior, a marca aposta em modelagens oversized, formas fluidas e tecidos de fibras naturais, como linho e algodão, para construir uma estética profundamente conectada ao território nordestino.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Oco Club
Celebrando os 300 anos de Fortaleza, João Lobo, diretor criativo, e Lucas Cikada, diretor de produto da Oco Club, apresentaram a coleção “Terral”. A proposta homenageia a capital cearense por meio do streetwear contemporâneo da marca, incorporando referências às paisagens e à cultura local. Com silhuetas amplas, modelagens relaxadas e elementos que transitam entre o utilitário e o artesanal, a coleção traduz Fortaleza nos looks.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
PATÚ
Construída a partir da atmosfera poética e sensorial de “Longarinas”, canção de Ednardo, a coleção desfilada pela PATÚ nasceu das memórias evocadas pela música. Marina Fontanari, diretora criativa da marca, construiu uma narrativa que percorre a Fortaleza dos anos 1970, especialmente a Praia de Iracema, transformando essas lembranças nos elementos centrais da coleção.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
4TOWN
Sem abandonar suas raízes na cultura urbana, a marca ampliou seus horizontes criativos ao apresentar peças pensadas para dialogar com novos públicos. Na passarela, silhuetas oversized, intervenções têxteis e referências à cultura periférica deram forma a um conjunto que reafirma a identidade da 4TOWN enquanto aponta para novos caminhos criativos.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Rebeca Sampaio
Rebeca Sampaio apresentou a coleção “Travessia”, uma narrativa inspirada no universo vaqueiro e nas histórias de resistência do sertão. Tendo a figura do vaqueiro como ponto de partida, o desfile traduziu a beleza desse território por meio de uma alfaiataria sofisticada, marcada por manualidades, recortes vazados, franjas, e tons escuros com nuances mais luminosas para uma leitura contemporânea das tradições nordestinas.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Lindebergue
Celebrando 25 anos de trajetória, Lindebergue apresentou uma coleção inspirada pelo imaginário católico e por uma recente viagem ao Vaticano. Referências à indumentária sacerdotal e à figura de São José de Cupertino deram forma a looks de silhuetas alongadas, ombros estruturados e volumes arquitetônicos, marcados por texturas elaboradas e simbolismos sutis, como os 33 botões que remetem à idade de Cristo. A predominância de tons escuros reforçou a atmosfera solene e contemplativa da coleção.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
