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Renata Kuerten: Ready to Air

Antes coadjuvantes, as top models assumem o protagonismo na mídia. Renata Kuerten reescreve esse papel na TV brasileira.

Por Luan Vidal

A partir do final dos anos 1980, as modelos que antes eram vistas apenas como manequins vivos, prontos para a passarela, passaram a ganhar notoriedade no mundo do entretenimento ao se tornarem verdadeiras celebridades. Elas saíram das revistas e passarelas para ocupar espaços em filmes, videoclipes e, claro, na televisão.

Em meio a essa nova onda, em maio de 1989, os telespectadores do canal MTV assistiam à estreia de House of Style, programa comandado pela supermodelo Cindy Crawford. A atração oferecia um olhar inédito sobre os bastidores da indústria da moda, unindo entrevistas, tendências e a vida real das supermodelos.

O formato se expandiu com força nos anos 2000, com a chegada de reality shows competitivos liderados por modelos. America’s Next Top Model (2003–2018), idealizado e apresentado por Tyra Banks, deu origem a uma franquia global, com versões em dezenas de países, incluindo o Brasil. Na mesma linha, The Face, estrelado por Naomi Campbell, e Project Runway, apresentado por Heidi Klum, consolidaram o papel das modelos como mentoras e empresárias do setor.

É nesse contexto que se insere a cover-star da Cartola de julho. Tendo a irmã — também modelo — como principal referência, Renata Kuerten iniciou sua carreira aos 16 anos, em uma fase promissora para as modelos brasileiras. Após Gisele Bündchen — outra inspiração para Renata — romper com os padrões norte-americanos e a estética “heroin chic”, a indústria da moda mundial voltou os olhos para as chamadas Brazilian Bombshells. Ao lado de nomes como Isabeli Fontana e Carol Trentini, Renata rapidamente conquistou espaço em editoriais e passarelas, tanto no Brasil quanto no exterior.

Cartola: Você começou sua carreira como modelo ainda muito jovem e, desde então, desfilou em passarelas nacionais e internacionais. Entre tantas experiências, houve alguma que tenha se destacado de forma especial?
Renata: Todos os trabalhos são especiais, mas acredito que fazer minha primeira capa da Vogue aos 18 anos foi uma emoção incrível.

Cartola: Ao longo da sua trajetória, o universo da moda passou por diversas transformações. Quais são, na sua avaliação, as mudanças mais significativas que você observa entre o início da sua carreira e o cenário atual?
Renata: Com toda certeza, a diversidade que estamos vendo no mercado. Fico muito feliz por perceber atitudes e mudanças acontecendo — e acredito que isso tende a crescer ainda mais.

Seguindo um caminho já trilhado por outras colegas de profissão, Renata fez sua transição para a televisão em 2015, quando estreou como apresentadora nos programas Chega Mais e, em seguida, Conexão Models, ambos voltados ao universo jovem, à tecnologia e, claro, à moda. O Conexão Models permaneceu no ar até 2019. Na sequência, Renata apresentou produções no canal E!, como Um Show de Noiva, e integrou o júri do reality Juju Bootcamp, até 2022, quando recebeu uma ligação do SBT para fazer um teste como apresentadora do icônico Esquadrão da Moda. Desde então, divide a apresentação do programa com o estilista Dudu Bertholini.

Cartola: Atualmente, você concilia o trabalho como modelo com a apresentação do Esquadrão da Moda. Que lições do universo fashion você considera mais valiosas e leva para a televisão?
Renata: Acho que a autoconfiança que adquiri ao longo dos anos e a postura diante das câmeras são fundamentais. Em relação às participantes, acredito que é essencial mostrar que a moda vai muito além da roupa: elas precisam se reconectar com o amor-próprio e a autoestima. Depois disso, damos dicas para valorizar a beleza de cada uma na sua individualidade, respeitando perfis, corpos e estilos.

Cartola: Desde que assumiu a apresentação do Esquadrão da Moda, o programa passou por reformulações na comunicação. Quais foram as principais mudanças dessa nova fase?
Renata: Desde que comecei, há quatro anos, temos falado muito mais sobre autoestima e amor-próprio, muito além das roupas. A ideia é valorizar as curvas e as características de cada mulher, como elas são. E eu também espero continuar aprendendo e evoluindo a cada dia.

Cartola: Por fim, como é pensado o conceito por trás dos figurinos que você usa no programa? Há uma linha estética ou narrativa que orienta essas escolhas?
Renata: (risos) Na verdade, não. O Dudu Farias me veste há 15 anos e ele escolhe tudo. Como são mais de 150 looks, acabamos usando de tudo um pouco. Não dá para seguir um único conceito. Mas o legal é que eu amo moda e adoro mudar de personagem.

Fotografia – Rafael Muner / Beleza – Renato Mardonis / Edição de moda – Diogo Brasiliano e Isabella Estevez / Tratamento de Imagem – Edu Tavares / Estudio – Estudio PP700 / Assistente – Lari Salinas

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