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Siso e seu amadurecimento poético

Assim como os terceiros molares, a música pop surge de forma intensa e inevitável. Conheça o multiartista Siso, uma das novas revelações da música eletropop brasileira

Por Arthur Anjos

Natural de Belo Horizonte, David Dines é um dos novos multiartistas brasileiros em constante transformação. Com uma notória originalidade trazida pelo pseudônimo Siso, o artista vem conquistando espaço no cenário musical ao abordar a rigidez de estruturas sociais através de um eletropop cativante e visual desconstrutivo.

Foto: João Viegas
Hoje aos 28 anos conta que o contato com a música se deu desde cedo. Começou a aprender violão aos 8 anos e não parou por aí: curioso, passou a aprender um pouco sobre outros instrumentos como bateria e teclado. O talento e desempenho o fez pisar nos palcos aos 10 anos, acompanhando seu professor em show no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Depois da experiência, nunca mais parou. Nessa trajetória, muitos colaboraram ao longo do processo estimulando e inspirando seu trabalho, como Fabiano Nascimento (seu professor de música), Mutantes, Lineker, Letícia Novaes, Rico Dalasam, dentre outros.

Ainda sobre suas influências, Siso conta que sempre foi fã da música do Nordeste. Sua mãe, que é natural de Natal, costumava ouvir ícones como Zé Ramalho, Quinteto Violado e Fagner. Ao ser questionado sobre o que conhece do novo cenário da música potiguar, afirma gostar muito da banda Luísa & os Alquimistas, e acompanhar bandas como Fetuttines, Camarones, Far From Alaska, Mahmed e Plutão Já Foi Planeta.

Foto: João Viegas.

O músico, que também é integrante da banda mineira Cabezas Flutuantes, embarcou em 2016 em carreira solo com seu primeiro EP “Terceiro Molar”, trabalho que marca sua nova jornada e amadurecimento como artista. Tanto sua música quanto sua estética demonstram ser um trabalho de caráter desconstrutivo e com foco no indivíduo. “Terceiro Molar”, por exemplo, é uma viagem sobre as dores do amadurecimento, das múltiplas identidades, do descobrir e redescobrir.

“Acho mais relevante, nesse momento, falar sobre desconfortos que vêm da rigidez de algumas estruturas sociais do que fazer uma música mais casual e descontraída, por assim dizer.”

Ao ser questionado como se sente ao abordar temas não tão notórios na realidade social, Siso afirma que há muitas histórias que precisam ser contadas e tornar relevante tais temas é muito importante, especialmente hoje. “Acho que o principal papel do artista é tentar provocar alguma transformação positiva na sociedade a partir da sua criação, seja ela pela desconstrução ou por algum tipo de alento que tira a atenção daquilo que é inevitável e cruel”, acrescenta.

Para este ano, Siso pretende lançar seu primeiro álbum e um single ainda esse trimestre. Desde já, estamos ansiosos! É esperançoso e inspirador ver que mesmo diante do ódio e intolerância no mundo, a arte não se deixa ultrapassar e artistas surgem a todo instante.
 
“Deus me livre de ser um homem se for pra ser um bicho vulgar”
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