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Radar DFB: Lindebergue e a costura do sagrado

Veterano do festival, Lindebergue conversou com a Cartola sobre a coleção que apresenta nesta edição do DFB, uma proposta que estabelece um diálogo entre fé, espiritualidade e criação autoral.

Por: Luan Vidal

Dando continuidade na série de matérias sobre as coleções da próxima edição do DFB, trazemos um veterano no line up do maior evento de moda autoral do Brasil. Lindebergue apresentou sua primeira coleção no Dragão em 2001, mas está no evento desde sua primeira edição em 1999 onde participou como assistente de estilista e se mantém como nome constante no line up até hoje. 

Nesta edição, Lindebergue inicia a temporada com uma reflexão sobre fé e espiritualidade. Ao ser questionado sobre como a coleção dialoga com seu momento atual, o estilista comenta: “Uma coleção de moda autoral funciona como um espelho público da alma do estilista e do espírito do tempo que ele vive. Quando um designer atravessa um despertar espiritual, essa transformação redesenha profundamente a  narrativa da marca.” A pesquisa criativa mergulha na indumentária religiosa, incorporando elementos tradicionais das vestes litúrgicas. A imponência das casulas e das dalmáticas surge traduzida em volumes arquitetônicos, enquanto tecidos fluidos e camadas texturizadas suavizam a rigidez das formas. Distante de qualquer intenção comercial, característica recorrente em suas participações no festival, a coleção preserva a liberdade criativa do processo, permitindo que a experimentação e a expressão artística conduzam, naturalmente, o resultado final.

Quanto ao seu background do Nordeste, Lindebergue comenta que a sua vivência na região influenciou diretamente a sua fé; “Aprendi uma valiosa lição sobre criação, onde a espiritualidade, a arte popular e a identidade ancestral se entrelaçam de forma harmônica, sem precisar serem representadas de maneira caricata.”. 

Sobre sobre planos futuros para a carreira o estilista afirma que está aberto a convites de novos trabalhos na moda, mas que por agora pretende direcionar seu foco para liderar uma marca de moda masculina como diretor de criação, fazendo do DFB mais um passo em sua trajetória criativa que se mantém em constante construção, como a própria coleção que se mantém suscetível a alterações até o momento que as modelos pisarem na passarela: “O caráter orgânico das minhas coleções permite que elas sejam maleáveis e estejam sujeitas a mudanças repentinas, até mesmo no momento em que estão prestes a ser apresentadas.” comentou o estilista.

Entre os detalhes mais discretos do desfile estão elementos carregados de significado. As batinas que abrem a apresentação possuem 33 botões frontais, referência à idade de Cristo, enquanto os cinco botões nos punhos remetem às cinco chagas da crucificação, esse tipo de percepção revela como mesmo sendo um tema já trabalhado na moda, a religiosidade sempre abre caminho para novas interpretações percepções pessoais, assim como a fé.

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