Pular para o conteúdo

A moda brasileira brilha, mas vende?

Texto – Arthur Anjos / Colagem – Luise Fonseca

“Eu também quero ir pro Brasil”, canta Urias em “Voz do Brasil”, evocando um país que é som, imagem e desejo. Mas que Brasil é esse que o mundo quer, e até onde ele consome? Do improvável sucesso das Havaianas, um chinelo de borracha que virou símbolo global, ao jeans e ao biquíni que traduzem um estilo de vida exportável, a moda brasileira construiu códigos fortes. Marcas como Misci reforçam que há discurso, identidade e criação pulsando hoje. A moda brasileira existe, e já não cabe mais questionar isso.

Ser ou não ser já não é a questão. Quem consome, eis a questão. Esse reconhecimento se converte em mercado real ou permanece no campo do imaginário? Existe um público amplo ou seguimos dentro de uma bolha que legitima, compartilha e celebra, mas compra pouco? Quem sustenta, de fato, a moda brasileira? E de quem é a responsabilidade de expandir esse alcance: das marcas, da indústria ou do próprio consumidor?

Se somos vistos, por que ainda não somos comprados na mesma proporção? Entre desejo e conversão, narrativa e resultado, talvez o incômodo seja inevitável: estamos construindo uma moda para existir ou para vender? No fim, fica a provocação: fazemos mais barulho do que vendas?

Compartilhe: