A segunda noite do DFB Festival celebrou os 300 anos de Fortaleza com a força criativa que marca a capital cearense. Na Praia de Iracema, a programação destacou a riqueza dos saberes manuais nordestinos, valorizando a moda autoral e o trabalho coletivo de estilistas e artesãos.
ETHOS
Abrindo o dia, a Ethos, sob direção de Beatriz Castro, apresentou a coleção “Integração”. Além de técnicas já características da marca, como o shibori e o crochê, a coleção explorou a relação entre ser humano e natureza por meio de cortes limpos e estampas inspiradas em paisagens paradisíacas.

Foto Paula Matos / Calebe Nogueira
Silvânia de Deus
Ainda nas Tabajaras, Silvânia de Deus apresentou “ODYSSEIA”, uma coleção que marcou território na passarela do DFB. Partindo de uma jornada pela própria trajetória da estilista, a coleção dialoga com heranças culturais e saberes ancestrais. Técnicas como richelieu, crochê e bordados cearenses aparecem ao lado de uma abordagem contemporânea, valorizando conhecimentos transmitidos entre gerações.

Foto Paula Matos / Calebe Nogueira
Concurso dos Novos
O segundo dia também foi marcado pela grande final do Concurso dos Novos e pela aguardada revelação da instituição vencedora. Quem conquistou o primeiro lugar foi a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), levando para casa R$ 20 mil e uma bolsa de 40 horas de formação na sede do IED (Istituto Europeo di Design), em Milão.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
George Azevedo
“Vento Forte” levou para a passarela a energia dos ventos que moldam o litoral potiguar e impulsionam esportes como o kitesurf. Como sugere o nome da coleção, George Azevedo transforma a ventania em símbolo de movimento e evolução. Cores vibrantes, modelagens amplas e referências à estética dos anos 1980 deram o tom da apresentação, que combinou funcionalidade e forte impacto visual.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Lire
Desenvolvida pelas empresárias Renata Saldanha e Lissa Moura, a Lire estreou no DFB 2026 apresentando sua proposta de moda wellness. A marca amplia o conceito de sportswear ao criar peças pensadas para acompanhar suas clientes em diferentes momentos da rotina. Inspirada no Theatro José de Alencar, a coleção trouxe referências à dança e à expressão corporal.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
J.Cabral
Marcada pela utilização de signos como crucifixos e inscrições como “Herege”, a J.Cabral apresentou uma coleção de forte teor político. A combinação entre técnicas de upcycling e elementos utilitários construiu silhuetas urbanas, enquanto o couro, as máscaras em tecidos transparentes e a paleta de preto, branco e bege reforçaram a identidade da apresentação.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
Gabriela Fiuza
Em “Horizonte de Iracema”, a estilista homenageia os 300 anos de Fortaleza por uma perspectiva que foge dos clichês, explorando diferentes camadas da memória e da identidade cultural da capital cearense. A coleção percorre referências históricas e artísticas ligadas à cidade, incluindo a obra “La Femme Bateau” (“A Mulher Barco”). Na passarela, sobreposições, transparências, rendas e sedas compõem silhuetas sofisticadas e fluidas. O resultado é uma coleção delicada e refinada, que transforma Fortaleza em uma narrativa poética e histórica.

Foto: Paula Matos / Ducker Studio
